O risco de morte durante uma onda de calor é 34% maior em áreas densamente povoadas.
As ondas de calor vêm causando alterações cardiovasculares, respiratórias e oftalmológicas — Foto: Orna Wachman para Pixabay
É importante lembrar que os três dias mais quentes já registrados no planeta aconteceram em julho de 2024. Somente no ano passado, foram contabilizadas cerca de 2.300 mortes associadas ao calor nos Estados Unidos, um salto de 117% em relação a 1999. Pesquisa recém-publicada alerta para o impacto nos serviços de emergência dos hospitais, que provavelmente não darão conta de tanta gente afetada pelas altas temperaturas.
Segundo a médica Cristiane Novaes, diretora do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, embora ainda não haja literatura científica suficiente, há evidências de um cenário mais desafiador: “vem ocorrendo uma mudança na prevalência de doenças sensíveis ao clima. Alterações cardiovasculares, por exemplo, são comuns em idosos, mas estão acontecendo por causa de um fator novo, que são as ondas de calor extremo cada vez mais frequentes”.
A lista é extensa e abrange diversos tipos de problemas: além dos cardiovasculares, como taquicardia e hipertensão, estão se tornando corriqueiros quadros de irritação e inflamação das vias aéreas e de alterações oftalmológicas. Eventos meteorológicos extremos também acarretam um aumento de estresse, ansiedade, depressão e outros transtornos mentais. O risco de morte durante uma onda de calor é 34% maior em áreas mais densamente povoadas, afetando especialmente crianças e idosos.